Corrupção – Perguntas e respostas com Richard Simonetti

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01 – É assustador constatar como a corrupção está entranhada em todos os setores da vida brasileira. É uma característica nacional?
É uma vocação universal. As transgressões estão presentes em todos os países, em todas as culturas, envolvendo particularmente dinheiro, política e sexo, desde adão e eva deixando-se corromper pelas sugestões da ardilosa serpente. Trata-se de sugestiva alegoria que exprime bem essa tendência humana.

02 – Parece, entretanto, que no brasil a corrupção é bem maior. Diariamente topamos com escândalos divulgados pela mídia.
É apenas menos reprimida, como acontece em todos os países subdesenvolvidos. N ão temos os mecanismos de controle que caracterizam nações como a Inglaterra, a França, os Estados Unidos, onde há uma legislação mais severa e uma fiscalização mais eficiente.

03 – Não seria também um problema cultural, determinado pela deficiência educacional que caracteriza os países mais pobres?
Nas próprias universidades, mesmo nas sociedades mais desenvolvidas, a corrupção está presente, o que demonstra que não é esse o problema.

04 – Qual seria, então a origem da corrupção?
Há uma causa comum para todos os males humanos, inclusive a corrupção – o egoísmo. É por pensar muito em si mesmo, em seu bem-estar, no atendimento de suas necessidades, que o indivíduo acaba se envolvendo com um comportamento inadequado e imoral.

05 – Mas há pessoas que, não obstante corruptas, são generosas e desprendidas, preocupadas inclusive com o bem-estar alheio.
São gentis com o chapéu alheio, generosas com recursos que não lhes pertencem. enquadram-se nessa situação políticos que agem na base do “rouba mas faz”, o que é lamentável, já que se espera do homem público exatamente o contrário – Que faça sem roubar, porquanto está lidando com patrimônios que não lhe pertencem.

06 – Todas as religiões combatem a corrupção. Por que, não obstante, enfatizarem que há sanções divinas aplicadas contra os infratores, não raro ela se instala nos próprios círculos religiosos?
As religiões são especulativas, envolvendo-se com fantasias que não convencem. Nenhum corrupto está preocupado com supostas sanções divinas, envolvendo seres diabólicos e caldeiras infernais. Por isso, como na alegoria de Goethe, há muitos Faustos dispostos a vender a própria alma para conseguir fama e fortuna. Não os impressionam as conseqüências de suas ações em suposto futuro espiritual. Nem mesmo acreditam que exista esse futuro.

07 – O Espiritismo seria mais eficiente nesse particular?
O Espiritismo é sempre mais eficiente em todos os assuntos que envolvem o destino humano, porquanto não é especulativo. Temos, no contato com os espíritos sofredores, a visão do que nos espera no mundo espiritual se desencarnarmos comprometidos com o vício, o crime, a desonestidade… Eles fazem estágios depuradores em regiões umbralinas de grande sofrimento. Depois retornam à carne para enfrentar existências difíceis e problemáticas, com enfermidades e limitações físicas resultantes de seus erros. essa realidade é apresentada de uma forma tão clara e objetiva, que passamos atestado de insanidade ou absurda imaturidade quando não mudamos os rumos de nossa vida ao tomarmos conhecimento dela.

08 – Qual seria a medida exata para conservarmos a nossa integridade?
Toda corrupção está associada à mentira. Fundamental, portanto, que se a queremos combater, que sejamos sempre verdadeiros, guardando fidelidade à nossa crença, convictos de que podemos enganar a todos, mas jamais enganaremos nossa própria consciência. Ela premiará com a paz ou punirá com a intranqüilidade e o desajuste nossos acertos e desacertos existenciais. Isso é inexorável.

Pinga Fogo com Simonetti

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Escamas

Ananias e Paulo

“E logo lhe caíram dos olhos como que umas escamas, e recuperou a vista.” – (ATOS, 9:18.)

A visita de Ananias a Paulo de Tarso, na aflitiva situação de Damasco, sugere elevadas considerações.

Que temos sido nas sombras do pretérito senão criaturas recobertas de escamas pesadas sob todos os pontos de vista? Não somente os olhos se cobriram de semelhantes excrescências. Todas as possibilidades confiadas a nós outros hão sido eclipsadas pela nossa incúria, através dos séculos. Mãos, pés, língua, ouvidos, todos os poderes da criatura, desde milênios permanecem sob o venenoso revestimento da preguiça, do egoísmo, do orgulho, da idolatria e da insensatez.

O socorro concedido a Paulo de Tarso oferece, porém, ensinamento profundo. Antes de recebê-lo, o ex-perseguidor rende-se incondicionalmente ao Cristo; penetra a cidade, em obediência à recomendação divina, derrotado e sozinho, revelando extrema renúncia, onde fora aplaudido triunfador. Acolhido em hospedaria singela, abandonado de todos os companheiros, confiou em Jesus e recebeu-lhe a sublime cooperação.

É importante notar, contudo, que o Senhor, utilizando a instrumentalidade de Ananias, não lhe cura senão os olhos, restituindo-lhe o dom de ver. Paulo sente que lhe caem escamas dos órgãos visuais e, desde então, oferecendo-se ao trabalho do Cristo, entra no caminho do sacrifício, a fim de extrair, por si mesmo, as demais escamas que lhe obscureciam as outras zonas do ser.

Quanto lutou e sofreu Paulo, a fim de purificar os pés, as mãos, a mente e o coração?

Trata-se de pergunta digna de ser meditada em todos os tempos. Não te esqueças, pois, de que na luta diária poderás encontrar os Ananias da fraternidade, em nome do Mestre; aproximar-se-ão, compassivos, de tuas necessidades, mas não olvides que o Senhor apenas permite que te devolvam os olhos, a fim de que, vendo claramente, retifiques a vida por ti mesmo.

XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo 149.

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Planeta Intermediário

Dentre as objeções apresentadas contra a reencarnação, freqüentemente é referida a questão populacional do Planeta, que aumenta geometricamente, parecendo dar margem a paradoxos, desde que serviam os mesmos, os espíritos, no contínuo fluxo do ir-e-vir.

Esquecem-se tais opositores que a Criação é infinita, e não estanque, prosseguindo o Poder Gerador a criar sempre e incessantemente. Outrossim, da mesma maneira que as migrações, no Orbe, fazem-se continuamente, transferindo-se pessoas de uma outra região do país, ou de um para outro continente, ocorre, com assiduidade, fenômeno equivalente com os habitantes espirituais de outros mundos, que emigram, objetivando ajudar o progresso do planeta no qual se hospedam, ou atendendo a impositivos da evolução, em mecanismos reparadores de culpas e erros.

O mesmo sucede aos terrícolas que, vez por outra, são encaminhados a outras moradas onde adquirem experiências e conhecimentos se se tratam de lares mais elevados, ou são conduzidos a esferas mais primitivas, nas quais se depuram e reequilibram.

As leis de Deus vigem em toda parte e são iguais para todos.

Como progresso é contínuo, os mundos que gravitam nos espaços siderais constituem escolas de variada finalidade, no concerto universal da Divina Sabedoria.

Esse mecanismo é igualmente usado na Terra, no que se refere à aprendizagem, em qualquer área da educação. Desde os degraus mais elementares até os cursos mais complexos, há uma escala ascendente que se estende por várias Escolas com finalidades específicas, que fazem parte do arquipélago universitário.

Aprendiz constante, o espírito submerge e emerge no processo corporal, vivenciando experiências que o capacitarão para a felicidade posterior.

Sendo a Terra um planeta de provações, os espíritos que nela habitam encontram-se em processo de evolução, capacitando-se para grandiosos passos, que se prolongarão por outras Esferas mais ditosas, quando aqui encerrado o ciclo, ou seguindo-a, ao se tornar educandário de regeneração, iniciando uma fase de amplas bênçãos. .

Outrossim, recebe o nosso planeta-mãe hóspedes espirituais de diversas classes, que aqui se reeducam, quando indisciplinados, ou nos trazem informações e conhecimentos hábeis para o seu mais rápido crescimento na escala dos mundos, se adiantados.

Quando a santa fraternidade reinar entre os homens, auxiliando-os a romper com as amarras do próprio primitivismo, ser-Ihes-á mais fácil excursionar por esses ninhos de bênçãos que gravitam nos espaços siderais, onde a dor, a morte e a enfermidade não existem, facultando que os visitantes conheçam as delícias do “reino do céus” e retomem, ansiosos por promoverem o seu lar e seus habitantes, a fim de que desfrutem das mesmas alegrias que os aguardam.

Por essa razão, afirmou Jesus com tranqüilidade:

“Na casa de meu Pai há muitas moradas”.

FRANCO, Divaldo Pereira. Reflexões Espiritas. Pelo Espírito Vianna de Carvalho. LEAL.

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Pluralidade dos Mundos – O Livro dos Espíritos – Questão 55 a 58

Planetas

Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

 

55. São habitados todos os globos que se movem no espaço?

“Sim e o homem terreno está longe de ser, como supõe, o primeiro em inteligência, em bondade e em perfeição. Entretanto, há homens que se têm por espíritos muito fortes e que imaginam pertencer a este pequenino globo o privilégio de conter seres racionais. Orgulho e vaidade! Julgam que só para eles criou Deus o Universo.”

Comentário de Allan Kardec:

Deus povoou de seres vivos os mundos, concorrendo todos esses seres para o objetivo final da Providência. Acreditar que só os haja no planeta que habitamos fora duvidar da sabedoria de Deus, que não fez coisa alguma inútil. Certo, a esses mundos há de ele ter dado uma destinação mais séria do que a de nos recrearem a vista. Aliás, nada há, nem na posição, nem no volume, nem na constituição física da Terra, que possa induzir à suposição de que ela goze do privilégio de ser habitada, com exclusão de tantos milhares de milhões de mundos semelhantes.

 

56. É a mesma a constituição física dos diferentes globos?

“Não; de modo algum se assemelham.”

 

57. Não sendo uma só para todos a constituição física dos mundos, seguir-se-á tenham organizações diferentes os seres que os habitam?

“Sem dúvida, do mesmo modo que no vosso os peixes são feitos para viver na água e os pássaros no ar.”

 

58. Os mundos mais afastados do Sol estarão privados de luz e calor, por motivo de esse astro se lhes mostrar apenas com a aparência de uma estrela?

“Pensais então que não há outras fontes de luz e calor além do Sol e em nenhuma conta tendes a eletricidade que, em certos mundos, desempenha um papel que desconheceis e bem mais importante do que o que lhe cabe desempenhar na Terra? Demais, não dissemos que todos os seres são feitos de igual matéria que vós outros e com órgãos de conformação idêntica à dos vossos.”

Comentário de Allan Kardec:

As condições de existência dos seres que habitam os diferentes mundos hão de ser adequadas ao meio em que lhes cumpre viver. Se jamais houvéramos visto peixes, não compreenderíamos pudesse haver seres que vivessem dentro dágua. Assim acontece com relação aos outros mundos, que sem dúvida contêm elementos que desconhecemos. Não vemos na Terra as longas noites polares iluminadas pela eletricidade das auroras boreais? Que há de impossível em ser a eletricidade, nalguns mundos, mais abundante do que na Terra e desempenhar neles uma função de ordem geral, cujos efeitos não podemos compreender? Bem pode suceder, portanto, que esses mundos tragam em si mesmos as fontes de calor e de luz necessárias a seus habitantes.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

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Linhas de Evolução

evolução espiritual

“Caridade e humildade, tal a senda única da salvação.” (Alan Kardec. E.S.E. Cap.XV. Item 5.)

Observando os companheiros a quem você deseja ajudar, seja breve na exposição e demorado no socorro.

Sem o suor do exemplo, os mais belos comentários perdem a legitimidade.

*

Utilize-se do poço do caminho, sem lhe tisnar a limpidez das águas. Mais tarde você poderá necessitar dele novamente.

*

Seu vestuário desvela para os outros suas íntimas inclinações. Use a roupa, sem a ela escravizar-se.

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Mantenha a higiene de seu corpo para preservar a saúde. No entanto, viver excessivamente preocupado com a limpeza é sintoma de desequilibrio.

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Cobiçando o melhor de cada dia, viva cada minuto nobremente, como se fosse o último a que você tivesse direito. O depois começa agora.

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Pare para refletir, não obstante sabendo refletir para não parar. Quem avança, sem estacionar, pára sem forças para avançar.

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Planifique, antes de agir, e demonstrará respeito pelo serviço. Evite, porém, planificar assoberbado de preocupações, pois que assim você jamais realizará algo.

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Se você acredita em felicidade vivendo a sós, disponha-se para inquietantes aflições. A gota de orvalho no deserto reflete a glória de longínqua estrela, mas não dá vitalidade à terra onde se aquieta e consome, sem ajudar.

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Em todas as conjunturas de sua vida, recorde-se da caridade, primeiro, e da humildade, logo depois.

“Caridade e humildade, tal a senda única da salvação.”

FRANCO, Divaldo Pereira. Glossário Espírita-Cristão. Pelo Espírito Marco Prisco. LEAL.

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Sem a caridade

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Sem a caridade do trabalho para as suas mãos, o seu descanso pode transforma-se em preguiça.

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Sem a caridade da tolerância, o seu trabalho seguirá repleto de entraves.

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Sem a caridade da simpatia para com os necessitados de qualquer procedência, as suas palavras de corrigenda serão nulas.

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Sem a caridade da gentileza, a sua vida social e doméstica será sempre um purgatório de incompreensões.

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Sem a caridade da desculpa fraterna, seus problemas seguirão aumentados.

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Sem a caridade da lição repetida, o seu esforço não auxiliará a ninguém.

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Sem a caridade da cooperação, a sua tarefa podera descer ao isolamento enfermiço.

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Sem a caridade do estímulo ao companheiro que luta, sofre e chora, no trato com as próprias imperfeições, o orgulho se lhe fará petrificado na própria alma.

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Sem a caridade do auxílio incessante aos pequeninos, a vaidade viverá fortalecida em nosso espírito invigilante.

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Sem a caridade do entendimento amigo, a sua franqueza será crueldade.

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Sem a caridade do concurso desinteressado e fraterno, as suas dificuldades crescerão indefinidamente.

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Sem caridade em nosso caminho, tudo se converterá em inquietude, sombra e sofrimento. Por isso mesmo, adverte-nos o Evangelho – “fora da caridade ou fora do amor não existe realmente salvação”.

Pelo Espírito André Luiz

XAVIER, Francisco Cândido. Caridade. Espíritos Diversos. IDE.

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Humildade

Jesus Humildade

A humildade, por força divina, reflete-se, luminosa, em todos os domínios da Natureza, os quais expressam, efetivamente, o Trono de Deus, patrocinando o progresso e a renovação.

Magnificente, o Sol, cada dia, oscula a face do pântano sem clamar contra o insulto da lama; a flor, sem alarde, incensa a glória do céu. Filtrada na aspereza da rocha, a água se revela mais pura, e, em seguida às grandes calamidades, a colcha de erva cobre o campo, a fim de que o homem recomece a lida.

A carência de humildade, que, no fundo, é reconhecimento de nossa pequenez diante do Universo, surge na alma humana qual doentio enquistamento de sentimentos, quais sejam o orgulho e a cobiça, o egoísmo e a vaidade, que se responsabilizam pela discórdia e pela delinqüência em todas as direções.

Sem o reflexo da humildade, atributo de Deus no reino do “eu”, a criatura sente-se proprietária exclusiva dos bens que a cercam, despreocupada da sua condição real de espírito em trânsito nos carreiros evolutivos e, apropriando-se da existência em sentido particularista, converte a própria alma em cidadela de ilusão, dentro da qual se recusa ao contato com as realidades fundamentais da vida.

Sob o fascínio de semelhante negação, ergue azorragues de revolta contra todos os que lhe inclinem o espírito ao aproveitamento das horas, já que, sem o clima da humildade, não se desvencilha da trama de sombras a que ainda se vincula, no plano da animalidade que todos deixamos para trás, após a auréola da razão.

Possuída pelo espírito da posse exclusivista, a alma acolhe facilmente o desespero e o ciúme, o despeito e a intemperança, que geram a tensão psíquica, da qual se derivam perigosas síndromes na vida orgânica, a se exprimirem na depressão nervosa e no desequilíbrio emotivo, na ulceração e na disfunção celular, para não nos referirmos aos deploráveis sucessos da experiência cotidiana, em que a ausência da humildade comanda o incentivo à loucura, nos mais dolorosos conflitos passionais.

Quem retrata em si os louros dessa virtude quase desconhecida aceita sem constrangimento a obrigação de trabalhar e servir, a benefício de todos, assimilando, deste modo, a bênção do equilíbrio e substancializando a manifestação das Leis Divinas, que jamais alardeiam as próprias dádivas.

Humildade não é servidão. É, sobretudo, independência, liberdade interior que nasce das profundezas do espírito, apoiando-lhe a permanente renovação para o bem.

Cultivá-la é avançar para a frente sem prender-se, é projetar o melhor de si mesmo sobre os caminhos do mundo, é olvidar todo o mal e recomeçar alegremente a tarefa do amor, cada dia…

Refletindo-a, do Céu para a Terra, em penhor de redenção e beleza, o Cristo de Deus nasceu na palha da Manjedoura e despediu-se dos homens pelos braços da Cruz.

XAVIER, Francisco Cândido. Pensamento e Vida. Pelo Espírito Emmanuel. FEB.

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