Acima de Nós

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“Porque está escrito: Destruirei a ciência dos sábios e aniquilarei a inteligência dos inteligentes.” – Paulo. (I CORÍNTIOS, 1:19.)

Dezenas de séculos passaram sobre o Planeta, renovando a estruturação de todos os conceitos humanos.

A ciência da guerra multiplicou os Estados, entretanto, todos os gabinetes administrativos que lhe traçam os escuros caminhos sucumbem, através do tempo, pelas garras dos monstros que eles próprios criaram.

A ciência religiosa estabeleceu muitos templos veneráveis, contudo, toda vez que esses santuários se confiam ao conforto material desregrado, sobre o pedestal do dogma e do despotismo, caem, pouco a pouco, envenenados pelo vírus do separatismo e da perseguição que decretam para os outros.

A ciência filosófica erige sistemas sobre sistemas, todavia, quando procura instalar-se no negativismo absoluto, perante a Divindade do Senhor, sofre humilhações e reveses, dentro dos quais atinge fins integralmente contrários aos que se propunha realizar.

Em toda parte da História, vemos triunfadores de ontem arrojados ao pó da Terra, cientistas que semeiam vaidade e recolhem os frutos da morte, filósofos louvados pela turba invigilante, que plantam audaciosas teorias de raça e economia, conduzindo o povo à fome, à ignorância e à destruição.

Procura, pois, a fé e age, de conformidade com a lei de amor que ela te descortina ao coração, porque, acima de nós, infinito é o Poder do Senhor e dia virá em que toda a mentira e toda a vaidade serão confundidas.

XAVIER, Francisco Cândido. Vinha de Luz. Pelo Espírito Emmanuel. 14.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1996. Capítulo 164.

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Allan Kardec – Vida, Obra e Método

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Texto para leitura

1. Na cidade de Lyon (França), na Rua Sala 76, nasceu a 3 de outubro de 1804 aquele que se celebrizaria sob o pseudônimo Allan Kardec, de tradicional família francesa de magistrados e professores, filho de Jean Baptiste Antoine Rivail e Jeanne Louise Duhamel. Batizado pelo padre Barthe a 15-6-1805, recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail.

2. Em Lyon fez ele seus primeiros estudos, seguindo depois para Yverdon (Suíça), a fim de estudar com o célebre professor Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), pedagogo suíço que fundou diversas escolas. O instituto de Yverdon era um dos mais famosos e respeitados na Europa, reputado mesmo como Escola-modelo, por onde passaram vultos eminentes do Velho Continente.

3. Desde cedo, Hippolyte tornou-se um dos mais eminentes discípulos de Pestalozzi. Na “Revista Espírita” de maio de 1869 diz-se que, dotado de notável inteligência e atraído por sua vocação, desde os 14 anos o jovem lionês ensinava aos colegas menos adiantados tudo o que aprendia.

4. Concluídos os estudos em Yverdon, ele se radicou em Paris, onde se tornaria conceituado mestre não só de Letras, como de Ciências, distinguindo-se como notável pedagogo, autor de obras didáticas e divulgador do método de Pestalozzi.

5. Encontrando-se no mundo literário de Paris com a professora Amélie Gabrielle Boudet, também autora de livros didáticos, o professor Hippolyte contrai com ela matrimônio, conquistando preciosa colaboradora para sua futura atuação missionária. Como pedagogo, no primeiro período de sua vida, publicou numerosos livros didáticos e apresentou planos e métodos referentes à reforma do ensino francês. Entre as obras publicadas destacam-se: Curso Teórico e Prático de Aritmética, Gramática Francesa Clássica, Catecismo Gramatical da Língua Francesa, além de programas para os cursos ordinários de Física, Química, Astronomia e Fisiologia.

As obras espíritas da lavra de Kardec

6. Em 1854, o professou ouviu falar pela primeira vez nas mesas girantes, através de seu amigo Fortier, estudioso do Magnetismo. A princípio, revelou-se cético a respeito dos fenômenos, embora se dedicasse desde muito ao estudo do Magnetismo. No ano seguinte, ele pôde assistir pela primeira vez aos propalados fenômenos; corria o mês de maio de 1855. A partir de então passa a dedicar-se ao assunto, recebendo provas numerosas de que as manifestações eram produzidas pelos Espíritos de pessoas que haviam deixado a Terra.

7. Recebendo logo depois das mãos dos senhores Carlotti, René Taillandier, Tiedeman-Manthese, Sardou, pai e filho, e Didier, editor, cinqüenta cadernos contendo comunicações diversas, o professor se dedicou à desafiadora tarefa de organizar ditos cadernos, resultando daí a codificação do Espiritismo e a elaboração de um conjunto de obras fundamentadas nos ensinamentos fornecidos pelos Espíritos, sendo a primeira delas “O Livro dos Espíritos”, publicada em 18 de abril de 1857 e considerada como o marco inicial da codificação, embora o formato definitivo desse livro saísse apenas três anos depois, em março de 1860.

8. Explicando a sua convicção, Kardec sustenta que sua crença apóia-se no raciocínio e em fatos. E’ do seu feitio examinar, antes de negar ou afirmar, a priori, qualquer tema. Foi, portanto, como racionalista estudioso, emancipado de qualquer misticismo, que ele se pôs a examinar os fenômenos relacionados com as mesas girantes.

9. Em 1o de janeiro de 1858 lançou o primeiro número da “Revista Espírita”, e em 1o de abril do mesmo ano fundou a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Em 1861 publicou a primeira edição de “O Livro dos Médiuns”, a que se seguiram “O Evangelho segundo o Espiritismo” (1864), “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868), que são, juntamente com “O Livro dos Espíritos”, suas principais obras.

10. A primeira revelação de sua missão ele a recebeu em 30-4-1856, através da jovem médium Srta. Japhet, o que foi confirmado em 12-6-1856 através da Srta. Aline e em 12-4-1860 através do Sr. Crozet. Na “Revista Espírita” de maio de 1869, publicada após sua desencarnação, ocorrida em 31 de março de 1869, Kardec é definido como trabalhador infatigável, “sempre o primeiro e o último a postos”.

O método kardequiano

11. Kardec, cognominado por Camille Flammarion “o bom senso encarnado”, adotou, em seu trabalho, o método intuitivo-racionalista, que aprendera com Pestalozzi, considerando todavia o valor da análise experimental. Sob tais diretrizes, cultiva o espírito natural da observação, apregoando o uso do raciocínio na descoberta da verdade. Desestimula, porém, a atitude mecânica, para que o aprendiz procure sempre a razão e a finalidade de tudo. Kardec sustenta que devemos partir do simples para o complexo, do particular para o geral. Recomenda a utilização de uma memória racional, fazendo o uso da razão, para reter as idéias, de modo a evitar o processo de repetição mecânica das palavras. Procura despertar no estudo a curiosidade do observador, de modo a avivar sua atenção e percepção.

12. O lastro contido no ensino basilar é sempre intuitivo, que ele considera “como o fundamento geral dos nossos conhecimentos e o meio mais adequado para desenvolver as forças do espírito humano, da maneira mais natural”. Entendia Kardec que “todo bom método devia partir do conhecimento dos fatos adquiridos pela observação, pela experiência e pela analogia, para daí se extraírem, por indução, os resultados e se chegar a enunciados gerais que pudessem servir de base de raciocínio, dispondo-se esses materiais com ordem, sem lacuna, harmoniosamente”.

13. Diz J. Herculano Pires que o método adotado por Kardec na codificação da Doutrina Espírita transformou-se no método da própria doutrina e tem, na sua própria simplicidade, a garantia da sua eficiência. Podemos — de acordo com Herculano Pires — resumi-lo assim:

I – Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral, quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual.

II – Análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser logicamente justificado.

III – Controle dos Espíritos comunicantes, através da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem.

IV – Consenso universal, ou seja, concordância das várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto.

Questões Interessantes :

1. Qual foi o nome de batismo do Codificador do Espiritismo? R.: Batizado pelo padre Barthe a 15-6-1805, ele recebeu o nome de Hippolyte Léon Denizard Rivail.

2. Em que data e cidade ele nasceu e quando faleceu? R.: Kardec nasceu em 3 de outubro de 1804 na cidade de Lyon, França, e faleceu em Paris em 31 de março de 1869.

3. Como se chamou sua esposa? R.: Amélie Gabrielle Boudet.

4. Quais são os principais livros espíritas de sua autoria? R.: O primeiro a sair foi “O Livro dos Espíritos”, publicado em 18 de abril de 1857 e considerado o marco inicial da codificação, embora o formato definitivo desse livro saísse apenas três anos depois, em março de 1860. Seguiram-se “O Livro dos Médiuns” (1861), “O Evangelho segundo o Espiritismo” (1864), “O Céu e o Inferno” (1865) e “A Gênese” (1868), que formam com “O Livro dos Espíritos” o chamado Pentateuco Kardequiano. Não podemos esquecer, porém, duas obras introdutórias importantíssimas: “Instruções Práticas sobre as Manifestações Espíritas” (1858) e “O que é o Espiritismo” (1859), além de “Viagem Espírita em 1862″ e “Obras Póstumas”, este último publicado depois de sua desencarnação.

5. Em que consistiu o chamado método kardequiano? R.: De acordo com o professor J. Herculano Pires, o método utilizado por Kardec na codificação do Espiritismo foi composto de quatro pontos: I. Escolha de colaboradores mediúnicos insuspeitos, tanto do ponto de vista moral, quanto da pureza das faculdades e da assistência espiritual. II. Análise rigorosa das comunicações, do ponto de vista lógico, bem como do seu confronto com as verdades científicas demonstradas, pondo-se de lado tudo aquilo que não possa ser logicamente justificado. III. Controle dos Espíritos comunicantes, através da coerência de suas comunicações e do teor de sua linguagem. IV. Consenso universal, ou seja, concordância das várias comunicações, dadas por médiuns diferentes, ao mesmo tempo e em vários lugares, sobre o mesmo assunto.

Bibliografia:

Sobre o assunto, deve-se ler o texto “Introdução ao Livro dos Espíritos”, de J. Herculano Pires, que abre a edição de “O Livro dos Espíritos” que ele traduziu e a LAKE publicou em comemoração do trigésimo aniversário da editora.

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O Livro dos Espíritos – Encarnação em Diferentes Mundos – Questões 184 a 188

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Questões 184 a 188 – Encarnação nos Diferentes Mundos

Respostas dos guias espirituais para Allan Kardec no Livro dos Espíritos.

184. Tem o Espírito a faculdade de escolher o mundo onde passe a habitar?
“Nem sempre. Pode pedir que lhe seja permitido ir para este ou aquele e pode obtê-lo, se o merecer, porquanto a acessibilidade dos mundos, para os Espíritos, depende do grau da elevação destes.”

184a. Se o Espírito nada pedir, que é o que determina o mundo em que ele reencarnará?
“O grau da sua elevação.”

185. O estado físico e moral dos seres vivos é perpetuamente o mesmo em cada minuto?
“Não; os mundos também estão sujeitos à lei do progresso. Todos começaram, como o vosso, por um estado inferior e a própria Terra sofrerá idêntica transformação. Tornar-se-á um paraíso, quando os homens se houverem tornado bons.”

Comentário de Allan Kardec:

É assim que as raças, que hoje povoam a Terra, desaparecerão um dia, substituídas por seres cada vez mais perfeitos, pois que essas novas raças transformadas sucederão às atuais, como estas sucederam a outras ainda mais grosseiras.

186. Haverá mundos onde o Espírito, deixando de revestir corpos materiais, só tenha por envoltório o perispírito?
“Há e mesmo esse envoltório se torna tão etéreo que para vós é como se não existisse. Esse o estado dos Espíritos puros.”

186a. Parece resultar daí que, entre o estado correspondente às últimas encarnações e o de Espírito puro, não há linha divisória perfeitamente demarcada; não?
“Semelhante demarcação não existe. A diferença entre ume outro estado se vai apagando pouco a pouco e acaba por ser imperceptível, tal qual se dá com a noite às primeiras claridades do alvorecer.”

187. A substância do perispírito é a mesma em todos os mundos?
“Não; é mais ou menos etérea. Passando de um mundo a outro, o Espírito se reveste da matéria própria desse outro, operando-se, porém, essa mudança com a rapidez do relâmpago.”

188. Os Espíritos puros habitam mundos especiais, ou se acham no espaço universal, sem estarem mais ligados a um mundo do que a outros?
“Habitam certos mundos, mas não lhes ficam presos, como os homens à Terra; podem, melhor do que os outros, estar em toda parte.”

Comentário de Allan Kardec:

Segundo os Espíritos, de todos os mundos que compõe o nosso sistema planetário, a Terra é dos de habitantes menos adiantados, física e moralmente. Marte lhe estaria ainda abaixo, sendo-lhe Júpiter superior de muito, a todos os respeitos. O Sol não seria mundo habitado por seres corpóreos, mas simplesmente um lugar de reunião dos Espíritos superiores, os quais de lá irradiam seus pensamentos para os outros mundos, que eles dirigem por intermédio de Espíritos menos elevados, transmitindo-os a estes por meio do fluido universal. Considerado do ponto de vista da sua constituição física, o Sol seria um foco de eletricidade. Todos os sóis como que estariam em situação análoga.

O volume de cada um e a distância a que esteja do Sol nenhuma relação necessária guardam com o grau do seu adiantamento, pois que, do contrário, Vênus deveria ser tida por mais adiantada do que a Terra e Saturno menos do que Júpiter.

Muitos Espíritos, que na Terra animaram personalidades conhecidas, disseram estar reencarnados em Júpiter, um dos mundos mais próximos da perfeição, e há causado espanto que, nesse globo tão adiantado, estivessem homens a que a opinião geral aqui não atribuía tanta elevação. Nisso nada há de surpreendente, desde que se atenda a que, possivelmente, certos Espíritos, habitantes daquele planeta, foram mandados à Terra para desempenharem aí certa missão que, aos nossos olhos, os não colocava na primeira plana. Em segundo lugar, deve-se atender a que, entre a existência que tiveram na Terra e a que passaram a ter em Júpiter, podem eles ter tido outras intermédias, em que se melhoraram. Finalmente, cumpre se considere que, naquele mundo, como no nosso, múltiplos são os graus de desenvolvimento e que, entre esses graus, pode medear lá a distância que vai, entre nós, do selvagem ao homem civilizado. Assim, do fato de um Espírito habitar Júpiter não se segue que esteja no nível dos seres mais adiantados, do mesmo modo que ninguém pode considerar-se na categoria de um sábio do Instituto, só porque reside em Paris.

As condições de longevidade não são, tampouco, em qualquer parte, as mesmas que na Terra e as idades não se podem comparar. Evocado, um Espírito que desencarnara havia alguns anos, disse que, desde seis meses antes, estava encarnado em mundo cujo nome nos é desconhecido. Interrogado sobre a idade que tinha nesse mundo, disse: “Não posso avaliála, porque não contamos o tempo como contais. Depois, os modos de existência não são idênticos. Nós, lá, nos desenvolvemos muito mais rapidamente. Entretanto, se bem não haja mais de seis dos vossos meses que lá estou, posso dizer que, quanto à inteligência, tenho trinta anos da idade que tive na Terra.”

Muitas respostas análogas foram dadas por outros Espíritos e o fato nada apresenta de inverossímil. Não vemos que, na Terra, uma imensidade de animais em poucos meses adquire o desenvolvimento normal? Por que não se poderia dar o mesmo com o homem noutras esferas? Notemos, além disso, que o desenvolvimento que o homem alcança na Terra aos trinta anos talvez não passe de uma espécie de infância, comparado com o que lhe cumpre atingir. Bem curto de vista se revela quem nos toma em tudo por protótipos da criação, assim como é rebaixar a Divindade o imaginar-se que, fora o homem, nada mais seja possível a Deus.

KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. 76.ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 1995.

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O Mistério de Marcos

sao-marcos1 Eu nunca seria capaz de imaginar que um post bobinho, uma simples desculpa para colocar uma imagem bonita de um manuscrito antigo, despertaria tanta pancadaria. Mas, milhares de acessos e centenas de comentários depois neste post sobre a versão digital do Códex Vaticano, caí na real [o autor se refere a um artigo que publicou em 19/02/2015 com o título “Bíblia de 1.700 anos? Na tela!” que gerou bastante polêmica e discussão ] . Como os mal-entendidos foram muitos, queria aproveitar para explicar melhor um dos pontos polêmicos do texto anterior: a famigerada “versão estendida” do finalzinho do Evangelho de Marcos, que não consta do Códex Vaticano.

Primeiro ponto: existe, de fato, bastante variação nos manuscritos antigos do Novo Testamento bíblico. Hoje, essas variantes estão na casa das centenas de milhares, nas contas dos especialistas . A IMENSA maioria delas não é significativa: assim como as pessoas de hoje, os copistas do Novo Testamento também cometiam erros de ortografia, comiam palavras, pulavam de uma linha para outra na hora de copiar etc. Algumas alterações, no entanto, de fato são significativas: trechos grandes são incluídos e omitidos, alterando o sentido dos textos bíblicos.

Será que esse é o caso do final do Evangelho de Marcos? Bem, é complicado.

Dois dos mais antigos textos completos de Marcos, o Códex Vaticano e o Códex Sinaítico, ambos do século 4º d.C., muito usados como referência por quem estabelece os textos bíblicos padronizados, omitem essa passagem. Eles terminam da seguinte maneira: as mulheres que vão ao túmulo de Jesus para ungir seu corpo encontram um jovem vestido de branco (talvez um anjo), que diz que Jesus ressuscitou e está esperando os apóstolos na Galileia. “Elas saíram e fugiram do túmulo, pois um temor e um estupor se apossaram delas. E nada contaram a ninguém, pois tinham medo.” É o trecho que hoje corresponde a Marcos 16, 1-8.

Note que em nenhum momento o texto diz que Jesus não ressuscitou — o que ocorre é que Jesus ressuscitado não aparece nesse trecho.

Beleza. Os versículos seguintes, os de 9 a 20, correspondem à “versão estendida” presente em outros manuscritos, relatando tanto as aparições de Jesus a Maria Madalena e a seus discípulos como a ordem por parte dele para pregar o Evangelho pelo mundo e sua ascensão aos céus.

O curioso é que outros manuscritos registram versões estendidas DIFERENTES. Uma delas é bem mais curtinha e diz o seguinte: “Elas [as mulheres] narraram brevemente aos companheiros de Pedro o que lhes tinha sido anunciado. Depois, o mesmo Jesus os encarregou de levar, do Oriente ao Ocidente, a sagrada e incorruptível mensagem da salvação eterna.”

É ADENDO MESMO?

A maioria dos especialistas hoje acha que esses finais são adendos. Alguns dos motivos:

1)Como eu já disse, alguns dos manuscritos mais antigos e de melhor qualidade de Marcos omitem a passagem;

2)A versão estendida parece resumir uma série de aparições de Jesus ressuscitado de outros evangelhos, como para Maria Madalena (em João), para os discípulos de Emaús (Lucas), a ascensão aos céus (Lucas de novo);

3)O estilo do trecho é bem diferente do que aparece no resto do Evangelho de Marcos;

4)O final original diz que Jesus encontraria os apóstolos na Galileia, mas nenhuma menção a essa viagem aparece no final estendido.

Mas sério que Marcos terminaria sua obra-prima dizendo simplesmente “elas tinham medo”? Bom, aí temos as hipóteses que explicariam isso:

1)Foi de propósito. Marcos mostra Jesus sendo incompreendido até por seus discípulos ao longo de todo o seu evangelho. A ideia seria mostrar que essa incompreensão continua, e que cabe ao leitor do evangelho entender e colocar em prática a mensagem de Jesus;

2)Marcos morreu antes de terminar o texto e cristãos posteriores acharam necessário acertar o final;

3)Ele chegou a escrever seu próprio final, mas por algum motivo esse pedaço do manuscrito original se perdeu.

A propósito, seja lá como o final estendido tenha ido parar onde está hoje, a coisa não teve nada a ver com o imperador romano Constantino ou com o Concílio de Niceia. Textos cristãos a partir do ano 160 d.C. (ou seja, um século depois de o evangelho original ter sido escrito) já mencionam esse finalzinho. Trata-se de uma adição bastante antiga também, portanto.

É isso, gente. Zero de teoria da conspiração à la Dan Brown nessa história. Trata-se apenas de mostrar que, crendo ou não na inspiração divina das Escrituras, é preciso reconhecer que, como texto, elas têm uma história tortuosa e complicada e não caíram prontas do céu.

por Reinaldo José Lopes que é jornalista de ciência e autor do livro Além de Darwin

Fonte : Folha de São Paulo – edição de 23/02/2015

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Notas Breves – por André Luiz

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Não perca tempo.

Não fuja ao dever.

Respeite os compromissos.

Sirva quanto possa.

Ame intensamente.

Trabalhe com ardor.

Ore com fé.

Fale com bondade.

Não critique.

Observe construindo.

Estude sempre.

Não se queixe.

Plante alegria.

Semeie paz.

Ajude sem exigências.

Compreenda e beneficie.

Perdoe quaisquer ofensas.

Atenda à pontualidade.

Conserve a consciência tranquila.

Auxilie generosamente. Esqueça o mal.

Cultive sinceridade, aceitando-se como é e acolhendo os outros como os outros são, procurando, porém, fazer sempre o melhor ao seu alcance.

XAVIER, Francisco Cândido. Sinal Verde. Pelo Espírito André Luiz. CEC.

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O Homem Honesto Segundo Deus ou Segundo os Homens

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Nota: as respostas deste texto foram dadas pelo Espírito JOSEPH BRÊ, falecido em 1840, ao ser evocado em Bordéus, por sua neta, em 1862. O texto foi extraído do livro “O Céu e o Inferno” de Allan Kardec.

1. – Caro avô, podeis dizer-me como vos encontrais no mundo dos Espíritos, dando-me quaisquer pormenores úteis ao nosso progresso?

R. Tudo que quiseres, querida filha. Eu expio a minha descrença; porém, grande é a bondade de Deus, que atende às circunstâncias. Sofro, mas não como poderias imaginar: é o desgosto de não ter melhor aproveitado o tempo aí na Terra.

2. – Como? Pois não vivestes sempre honestamente?

R. Sim, no juízo dos homens; mas há um abismo entre a honestidade perante os homens e a honestidade perante Deus. E uma vez que desejas instruir-te, procurarei demonstrar-te a diferença. Aí, entre vós, é reputado honesto aquele que respeita as leis do seu país, respeito arbitrário para muitos. Honesto é aquele que não prejudica o próximo ostensivamente, embora lhe arranque muitas vezes a felicidade e a honra, visto o código penal e a opinião pública não atingirem o culpado hipócrita.

Em podendo fazer gravar na pedra do túmulo um epitáfio de virtude, julgam muitos terem pago sua dívida à Humanidade! Erro! Não basta, para ser honesto perante Deus, ter respeitado as leis dos homens; é preciso antes de tudo não haver transgredido as leis divinas. Honesto aos olhos de Deus será aquele que, possuído de abnegação e amor, consagre a existência ao bem, ao progresso dos seus semelhantes; aquele que, animado de um zelo sem limites, for ativo na vida; ativo no cumprimento dos deveres materiais, ensinando e exemplificando aos outros o amor ao trabalho; ativo nas boas ações, sem esquecer a condição de servo ao qual o Senhor pedirá contas, um dia, do emprego do seu tempo; ativo finalmente na prática do amor de Deus e do próximo.

Assim o homem honesto, perante Deus, deve evitar cuidadoso as palavras mordazes, veneno oculto sob flores, que destrói reputações e acabrunha o homem, muitas vezes cobrindo-o de ridículo. O homem honesto, segundo Deus, deve ter sempre cerrado o coração a quaisquer germens de orgulho, de inveja, de ambição; deve ser paciente e benévolo para com os que o agredirem; deve perdoar do fundo dalma, sem esforços e sobretudo sem ostentação, a quem quer que o ofenda; deve, enfim, praticar o preceito conciso e grandioso que se resume “no amor de Deus sobre todas as coisas e do próximo como a si mesmo”.

Eis aí, querida filha, aproximadamente o que deve ser o homem honesto perante Deus. Pois bem: tê-lo-ia eu sido? Não. Confesso sem corar que faltei a muitos desses deveres; que não tive a atividade necessária; que o esquecimento de Deus impeliu-me a outras faltas, as quais, por não serem passíveis às leis humanas, nem por isso deixam de ser atentatórias à lei de Deus. Compreendendo-o, muito sofri, e assim é que hoje espero mais consolado a misericórdia desse Deus de bondade, que perscruta o meu arrependimento. Transmite, cara filha, repete tudo o que aí fica a quantos tiverem a consciência onerada, para que reparem suas faltas à força de boas obras, a fim de que a misericórdia de Deus se estenda por sobre eles. Seus olhos paternais lhes calcularão as provações. Sua mão potente lhes apagará as faltas.

KARDEC, Allan. O Céu e o Inferno. FEB. Extraído do capítulo 3 – 2a. Parte – Espíritos em condições medianas. Livro eletrônico gratuito em http://www.febnet.org.br.

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No Rumo da Luz

Capa sem orelha

“Progredir é condição normal dos seres espirituais e a perfeição relativa ao fim que lhes cumpre alcançar.” A GÊNESE Capítulo 11º – Item 9.

Mágoa injustificada nubla a face da tua alegria. Agasalhando-a, concedes tempo precioso a argumentação íntima desnecessária que te gasta em combate inútil.

Reclamas, porque companheiros levianos usaram do teu nome, fazendo-te co-autor de infâmias ou porque, infelizes, se referem maldosamente às tuas expressões, envenenando teus melhores conceitos, culminando por coroarem de espinhos os teus mais alentados sonhos.

Sofres, porque desejas esclarecer, pretendendo silenciar a boca da calúnia com o esparadrapo da inocência.

Consideras que as informações depreciadoras te prejudicam o trabalho tanto quanto a difamação pode corporificar-se em “verdades aceitas”.

O desânimo sulca a gleba onde aras, habilmente instilado pela tua invigilância.

Reserva-te, porém, cuidados especiais.

Acautela-te, não em relação ao que digam, ao que pensem, ao que creiam os que te cercam, mas, em referência a ti mesmo.

As agressões de fora não atingem realmente a quem busca a verdade e a ela se afervora, vivendo-a, quanto possível, nas províncias do mundo interior.

Não te justifiques nem procures esclarecer.

A verdade dispensa explicações. Simples, é persuasiva, cativando aqueles que a sintonizam.

Policia as palavras e confia na lição do tempo que fará se defrontem as informações e os fatos, ensejando panoramas legítimos.

Tem em mente que segues no rumo da luz, e que nada te poderá deter. Elegeste a vida verdadeira!

Uma grande mazela para o espírito é a impaciência.

O tempo, na Terra, é companheiro infatigável, do qual ninguém foge, nem se consegue furtar. Inexoravelmente ele gasta o granito, reverdesce o deserto e doa aridez ao solo fértil.

“O tempo é a sucessão das coisas” (*).

Tudo modifica sem pressa nem agitação.

Todas as pessoas que, por esta ou aquela razão se destacam neste ou naquele mister são rigorosamente fiscalizadas, tornando-se do domínio público.

Criam escola sem o desejarem; fazem-se modelo sem o pensarem; ficam atormentadas sem o perceberem.

Se realizam para um ideal superior não têm tempo para as questiúnculas, incidentes inevitáveis de fácil superação. – Seguem em frente, para além.

Se, todavia, laboram para si mesmas, empenhadas na divulgação do nome e da obra, perdem-se nas cercanias da estrada e desajustam-se, feridas por suscetibilidades e bagatelas ridículas.

Ninguém fica indene, quando trabalha, à maledicência e à astúcia dos ociosos.

Todos lhes sofrem a perseguição gratuita nascida nas fontes do despeito e da aflição invejosa que os macera.

Age, portanto, fervoroso e confiante.

Os que te amam compreenderão sempre os teus atos: não esperam de ti mais do que és, mais do que tens, mais do que podes dar. Choram com as tuas lágrimas, sorriem com as tuas alegrias, ajudam-te sempre na dificuldade ou no triunfo.

Os que te detestam fazem-se mais adversos quer os esclareças ou não.

Utilizando um argumento justo crerão que és vivaz; aplicando uma evasiva te chamarão hipócrita; sacrificado, dirão que te exibes nas roupas da falsa humildade; tranquilo, zombarão, nomeando-te como explorador irresponsável.

Intentar mudar a face das coisas a golpes de precipitação seria como pretender avançar no futuro, anulando a sabedoria que os minutos assinalam.

Produze preocupado com o objetivo de fazer o melhor ao teu alcance e, na certeza de que agradar a todos é positivamente ambição descabida, não pretendas realizá-la.

Retornando aos sítios queridos de Cafarnaum, depois de realizar os mais sublimes labores e sucessos junto aos corações humanos em desalinho, o Mestre foi inquirido ardilosamente por aqueles que desejavam “surpreendê-lo nalguma palavra”, para terem meios de O aniquilar.

“É lícito pagar o tributo a César, ou não?”

“Jesus, porém, conhecendo a sua malícia, disse:

Por que me experimentais, hipócritas? Mostrai-me a moeda do tributo”.

“E eles lhe apresentaram um dinheiro.”

-“De quem é esta efígie e esta inscrição?”- Indagou o Senhor.

- “De César.” – responderam.

- “Dai, pois, a César – retrucou o Rabi – o que é de César, e a Deus o que é de Deus”. (1)

Sem retoque no ensino que há vinte séculos rutila como advertência insofismável, dá a tua quota de amor, abnegação e trabalho a Deus, na seara onde hoje serves sob os auspícios do Espiritismo e demora-te sereno, porquanto os aficionados de César terão sempre meios para te perturbarem, desejosos de dificultarem tuas aspirações superiores com o Pai.

(1) Mateus 22 – 17 a 21.

(*) A Gênese – Capítulo 6º – Item 2. – Notas da Autora espiritual.

FRANCO, Divaldo Pereira. Espírito e Vida. Pelo Espírito Joanna de Ângelis. LEAL. Capítulo 55.

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