Mecanismos Desencarnatórios

DEFINIÇÃO:

Desencarnação é o processo pelo qual o espírito se desprende do corpo, em virtude da cessação da vida orgânica e, conservando o seu perispírito, volta à vida espírita.

SEPARAÇÃO DA ALMA DO CORPO: O desprendimento do perispírito em relação ao corpo:

a) Opera-se gradativamente, pois os laços fluídicos que o ligam ao corpo não se quebram, mas se desatam.

b) O cérebro é o último ponto a se desligar.

No instante da agonia, quando esse desligamento está se processando, o desencarnante costuma ter uma visão panorâmica, rápida e resumida, mas viva e fiel, dos pontos
principais da existência terrena que está findando (chegando ao fim).

Logo após a desencarnação, o espírito entra em um estado de perturbação espiritual. Como estava acostumado às impressões dos órgãos dos sentidos físicos, fica confuso, como quem desperta de um longo sono e ainda não se habituou, de novo, ao ambiente onde se encontra. A lucidez das idéias e a lembrança do passado irão voltando, à medida que se
desfaz a influência da matéria.

O QUE INFLUI NO PROCESSO DE DESENCARNAÇÃO: O processo todo da desencarnação e reintegração à vida espírita dependerá:

a) Das circunstâncias da morte do corpo. Nas mortes por velhice, a carga vital foi se esgotando pouco a pouco e, por isso, o desligamento tende a ser natural e fácil e o espírito poderá superar logo a fase de perturbação. Nas mortes por doença prolongada, o processo de desligamento também é feito pouco a pouco, com o esgotamento paulatino da vitalidade orgânica, e o espírito vai se preparando
psicologicamente para a desencarnação e se ambientando com o mundo espiritual
que, às vezes, até começa a entrever, porque percepções estão transcendendo ao
corpo.

Nas mortes repentinas ou violentas (acidentes, desastres, assassinatos, suicídios, etc.) o desatar dos laços que ligam o espírito ao corpo é brusco e o espírito pode sofrer com isso, e a perturbação tende a ser maior. Em casos excepcionais (como o de alguns suicidas), o espírito poderá (não é regra geral) sentir-se por algum tempo, “preso” ao corpo que se decompõe, o que lhe causará dolorosas impressões.

b) Do grau de evolução do espírito desencarnante. De modo geral, quanto mais espiritualizado o desencarnante, mais facilmente consegue desvencilhar-se do corpo físico já sem vida. Quanto mais material e sensual, apegada aos sentidos físicos, tiver sido sua existência, mais difícil e demorado é o desprendimento. Para o espírito evoluído, a
perturbação natural por se sentir desencarnado é menos demorada e causa menos
sofrimento. Quase que imediatamente ele reconhece sua situação, porque, de
certa forma, já vinha se libertando da matéria antes mesmo de cessar a vida
orgânica (vivia mais pelo e para o espírito). Logo retoma a consciência
de si mesmo, percebe o ambiente em que se encontra e vê os espíritos ao seu
redor. Para o espírito pouco evoluído, apegado à matéria, sem cultivo das suas
faculdades espirituais, a perturbação é difícil, demorada, sendo acompanhada de
ansiedade, angústia, e podendo durar dias, meses e até anos.

O conhecimento do Espiritismo ajuda muito o espírito na desencarnação, porque não desconhecerá o que se está passando e poderá favorecer o processo, sem se angustiar desnecessariamente e procurando recuperar-se mais rápido da natural perturbação. Entretanto, a prática do bem e a consciência pura é que pode assegurar um despertar pacífico no plano espiritual.

A AJUDA ESPIRITUAL: A bondade divina, que sempre prevê e provê o que precisamos, também não nos falta na desencarnação. Por toda a parte, há Bons Espíritos que, cumprindo os desígnios divinos, se dedicam à tarefa de auxiliar na desencarnação os que estão retornando à vida espírita. Alguns amigos e familiares( desencarnados antes)
costumam vir receber e ajudar o desencarnante na sua passagem para o outro lado
da vida, o que lhe dá muita confiança, calma e, também, alegria pelo
reencontro. Todos receberão essa ajuda, normalmente, se não apresentarem
problemas pessoais e comprometimento com espíritos inferiores. Em caso
contrário, o desencarnante às vezes não percebe nem assimila a ajuda ou é
privado dessa assistência, ficando à mercê de espíritos adversários e
inferiores, até que os limites da lei divina imponham um basta à ação destes e
o espírito rogue e possa receber e perceber a ajuda espiritual.

DEPOIS DA MORTE: Após desligar-se do corpo material, o espírito conserva sua individualidade, continua sendo ele mesmo com seus defeitos e virtudes. Sua situação, feliz ou não, na vida espírita, será conseqüência da sua existência terrena e de suas obras. Os bons sentem-se felizes e no convívio de amigos; os maus sofrem a conseqüência de
seus atos; os medianos experimentam as situações de seu pouco preparo
espiritual. Através do perispírito, conserva a aparência da última encarnação,
já que assim se mentaliza. Mais tarde, se o puder e desejar, a modificará.
Depois da fase de transição, poderá estudar, trabalhar e preparar-se para nova
existência, a fim de continuar evoluído.

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