Irmãs Fox

 

Em 11 de dezembro de 1847, a família Fox instalou-se em uma casa modesta na povoação de Hydesville, no estado de Nova Iorque, nos Estados Unidos da América, distante cerca de trinta quilômetros da cidade de Rochester.
O nome da família Fox origina-se do sobrenome “Voss”, depois “Foss” e finalmente “Fox”. Eram de origem alemã, por parte paterna; e francesa, holandesa e inglesa, por parte materna.
O grupo compunha-se do chefe da família, Sr. John D. Fox, da esposa Sra. Margareth Fox e de mais duas filhas: Kate, com 11 e Margareth, com 14 anos de idade. O casal possuía mais filhos e filhas. Entre estas, Leah, mais velha, que morava em Rochester, onde lecionava música. Devido aos seus casamentos, foi sucessivamente conhecida como Sra. Fish, Sra. Brown e Sra. Underhill. Leah escreveria um livro, “The Missing Link” (New York, 1885), no qual faz referência às supostas faculdades paranormais de seus ancestrais.
Inicialmente, apenas Margareth e Kate tomaram parte nos acontecimentos. Posteriormente, Leah juntou-se a elas e teve participação ativa nos episódios subseqüentes ao de Hydesville. Alguns dias após a mudança da Família FOX, passaram a ser perturbados por ruídos insólitos: batidas na porta da entrada, sem que ninguém visível o estivesse fazendo e passos de alguém andando na adega ou dentro de casa.

O Início

Inicialmente os Fox não sofreram nenhum incômodo em sua nova residência. Entretanto, algum tempo depois, mais precisamente nos dois primeiros meses de 1848, os mesmos ruídos insólitos que perturbaram os antigos inquilinos voltaram a manifestar-se. Eram batidas leves, sons semelhantes a arranhões nas paredes, assoalhos e móveis, os quais poderiam perfeitamente ser confundidos com rumores naturais produzidos por vento, estalos do madeiramento, ratos, etc. Por isso, tão somente, a família Fox não deveria ter-se sentido molestada ou alarmada. Entretanto, tais ruídos cresceram de intensidade, a partir de meados de março de 1848. Batidas mais nítidas e sons de arrastar de móveis começaram a se fazer ouvir, pondo as meninas em sobressalto, ao ponto de se negarem a dormir sozinhas no seu quarto e passarem a querer dormir no quarto dos pais. A princípio, os habitantes da casa, ainda incrédulos quanto à possível origem sobrenatural dos ruídos, levantavam-se e procuravam localizar causas naturais para os mesmos.
Na noite de 31 de março de 1848, desencadeou-se uma série de sons muito fortes e continuados. A partir disto ocorreu o que é considerado como um marco na história da fenomenologia paranormal. A menina de sete anos de idade – Kate Fox – desafiou a “força invisível” a repetir, com os golpes, as palmas que ela batia com as mãos! Segundo os relatos, a resposta teria sido imediata: a cada estalo, um golpe era ouvido logo a seguir! O que os fizeram concluir que a causa dos sons seria uma inteligência incorpórea, o que comprovado posteriormente com a criação de um “código de batidas” o que possibilitou a comunicação. Descobriu-se então a identidade daqueles fenômenos.

As escavações na Adega

Através de combinação alfabética com as pancadas produzidas, as irmãs Fox teriam obtido a identidade daquele que supostamente produzia os sons. Tratava-se de um mascate de nome Charles B. Rosma, o qual tinha trinta e um anos quando, há quatro anos passados, teria sido assassinado naquela casa e enterrado na adega. O assassino fora um antigo inquilino. O que, pela data, os fizeram deduzir que o crime poderia ter sido cometido pelo Sr. Bell. Os mais interessados em esclarecer o caso resolveram escavar a adega, visando encontrar os despojos do suposto assassinado, o que foi comprovado posteriormente.

Repercussão entre intelectuais

A partir do episódio das irmãs Fox, esse tipo de comunicação passou atrair a atenção de um pequeno grupo de cientistas no Ocidente. Inicialmente, tais investigadores achavam-se, em sua maioria, imbuídos de forte ceticismo acerca dos fenômenos mediúnicos  que passaram a ganhar popularidade inusitada na Europa. Desde o início, as pesquisas conduziram à formação de três correntes, conforme as opiniões dos pesquisadores acerca da natureza dos referidos fenômenos.

O movimento espalhar-se-ia mais tarde pelo mundo, conforme fora afirmado numa das primeiras comunicações através das irmãs Fox. As próprias forças invisíveis insistiam para que se fizessem reuniões públicas onde elas pudessem manifestar-se ostensivamente. Era a nova mensagem que vinha do mundo dos espíritos conclamando os homens para uma outra posição filosófico-religiosa.

Posteriormente as irmãs Fox prestaram-se a exibições públicas. Uma delas, a Kate Fox, foi à Europa onde pôde ser estudada por sábios de renome como William Crookes, S. C. Hall, Crowell F. Varley, prof. Butlerof, Alexandre Aksakof e outros. A carreira das irmã Fox foi acidentada, tendo elas sofrido também muitas perseguições e difamações injustas.

A onda “espiritualista” passou da América para a Europa, onde o terreno já se encontrava preparado pelo desenvolvimento científico e onde os fenômenos poderiam ser estudados com rigor e profundidade pelos primeiros metapsiquistas ou pelos fundadores da chamada Psychical Research. Estava aberta a porta para o surgimento de Allan Kardec e o Espiritísmo.

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