Suicídio – Desgosto da vida.

Desgosto da vida. Suicídio

(Para ouvir, clique no link abaixo e escolha:

Livro 04 Cap0 6 – Desgosto da vida Suicídio 943 a 957 )

Clique aqui >>>

(Estudo sobre estes temas as quartas feiras – 19:30 no CEAC)

943 De onde vem o desgosto pela vida que se apodera de certos indivíduos sem motivos razoáveis?

– Efeito da ociosidade, da falta de fé e freqüentemente da satisfação plena de seus apetites e vontades, do tédio. Para aquele que exerce suas atividades com um objetivo útil e de acordo com suas aptidões naturais, o trabalho não tem nada de árido, e a vida escoa mais rapidamente.Suporta as contingências da vida com mais paciência e resignação quanto age tendo em vista uma felicidade mais sólida e mais durável que o espera.

944 O homem tem o direito de dispor de sua própria vida?

– Não, apenas Deus tem esse direito. O suicídio voluntário é uma transgressão dessa lei.

944 a O suicídio não é sempre voluntário?

– O louco que se mata não sabe o que faz.

945 O que pensar do suicídio que tem como causa o desgosto da vida?

– Insensatos! Por que não trabalhavam? A existência não lhes teria sido pesada!

946 O que pensar do suicida que tem por objetivo escapar das misérias e decepções deste mundo?

– Pobres Espíritos, que não têm coragem de suportar as misérias da existência! Deus ajuda aqueles que sofrem, e não aos que não têm força nem coragem. As aflições da vida são provas ou expiações; felizes aqueles que as suportam sem queixas, porque serão recompensados! Infelizes, ao contrário, os que esperam sua salvação do que, na incredulidade deles, chamam de acaso ou sorte! O acaso ou a sorte, para me servir da vossa linguagem, podem, de fato, favorecê-los transitoriamente, mas é para fazê-los sentir mais tarde e mais cruelmente o vazio dessas palavras.

946 a Aqueles que conduziram um infeliz a esse ato de desespero sofrerão as conseqüências disso?

– Como são infelizes! Pois responderão por homicídio.

947 O homem que na necessidade se deixa morrer de desespero pode ser considerado um suicida?

– É um suicida;mas os que o levaram a isso ou que poderiam impedi-lo são mais culpados que ele, e a indulgência o espera. Entretanto, não acrediteis que seja inteiramente absolvido se lhe faltaram firmeza e perseverança e se não usou sua inteligência para superar as dificuldades. Infeliz dele, principalmente se seu desespero se originou do orgulho; quero dizer, se é desses homens a quem o orgulho paralisa os recursos da inteligência, que se envergonham por depender do trabalho de suas mãos e que preferem morrer de fome a renunciar ao que eles chamam de posição social! Não haverá cem vezes mais grandeza e dignidade em lutar contra a adversidade do que enfrentar a crítica de um mundo fútil e egoísta, que tem boa vontade apenas para com aqueles a quem nada falta, e vos dá as costas quando tendes necessidade dele? Sacrificar a vida em consideração a esse mundo é uma coisa estúpida, porque para esse mundo isso não tem valor.

948 O suicídio que tem por objetivo escapar da vergonha de uma má ação é tão condenável quanto aquele que é causado por desespero?

– O suicídio nesse caso não apaga o erro; pelo contrário, haverá dois em vez de um. Quando se teve a coragem de fazer o mal, é preciso ter a coragem de suportar as conseqüências. A Providência a tudo julga e, de acordo com a causa, pode, algumas vezes, diminuir seus rigores.

949 O suicídio pode ser desculpável quando tem por objetivo impedir que a vergonha recaia sobre filhos ou sobre a família?

– Aquele que age desse modo não procede bem, embora acredite que o faça. A Providência leva isso em conta, porque é uma expiação que se impõe a si mesmo. Ele atenua seu erro pela intenção, mas não deixa de cometer um erro. Portanto, eliminai os abusos da sociedade e os vossos preconceitos e não tereis mais suicídios.

Aquele que tira a própria vida para escapar da vergonha de uma má ação prova que tem mais estima aos homens do que a Deus, porque vai entrar na vida espiritual carregado de suas maldades, tendo-se privado dos meios de repará-las durante a vida. Porém, sendo a Providência divina mais benévola do que os homens na sua justiça, perdoa pelo arrependimento sincero e leva em conta nossa reparação. Mas o suicídio nada repara.

950 O que pensar daquele que tira a própria vida na esperança de atingir mais cedo uma vida melhor?

– Outra loucura! Se fizer o bem a atingirá mais cedo. Pelo suicídio retarda sua entrada num mundo melhor, e ele mesmo pedirá para vir terminar essa vida que encurtou por uma falsa idéia. Um erro, seja qual for, nunca abre o santuário dos eleitos.

951 O sacrifício da vida não é algumas vezes meritório, quando tem por objetivo salvar a de outras pessoas ou ser útil aos seus semelhantes?

– Isso é sublime, de acordo com a intenção, e nesse caso o sacrifício da vida não é um suicídio, mas um sacrifício inútil. Porém, está fora dos desígnios divinos se é ofuscado pelo orgulho. Um sacrifício é apenas meritório pelo desinteresse. Algumas vezes, esse sacrifício esconde uma segunda intenção, que lhe diminui o valor aos olhos de Deus.

Todo sacrifício do homem à custa de sua própria felicidade é um ato soberanamente meritório perante Deus, porque é a prática da lei de caridade. Portanto, sendo a vida o bem terreno ao qual o homem atribui maior apreço, aquele que renuncia a isso pelo bem de seus semelhantes não comete nenhum atentado: é um sacrifício que realiza. Mas, antes de realizá-lo, deve refletir se sua vida não será mais útil que sua morte.

952 O homem que morre vitimado pelo abuso de paixões que sabia apressariam o seu fim, mas às quais não tem mais o poder de resistir por ter se habituado a fazer delas verdadeiras necessidades físicas, comete suicídio?

– É um suicídio moral. Deveis compreender que o homem é duplamente culpado nesse caso. Nele há, além da falta de coragem, a ignorância e, acima de tudo, o esquecimento de Deus.

952 a Ele é mais ou menos culpado do que aquele que tira a própria vida por desespero?

– É mais culpado, por ter tido tempo de reconhecer seu suicídio. Naquele que o comete de súbito existe algumas vezes uma espécie de alucinação obsessiva próxima à loucura; o outro será punido com mais rigor, porque as penalidades são sempre proporcionais à consciência que se tem dos erros cometidos.

953 Quando uma pessoa vê diante de si uma morte inevitável e terrível, é culpada por abreviar em alguns instantes seus sofrimentos por uma morte voluntária?

– Sempre se é culpado por não aguardar o termo fixado por Deus. Quem poderá assegurar, aliás, se o fim chegou, apesar das aparências, e que não se pode receber um socorro inesperado no último momento?

953 a Concebe-se que em circunstâncias comuns o suicídio seja condenável, mas suponhamos o caso em que a morte é inevitável e a vida seja abreviada apenas por alguns instantes.

– É sempre uma falta de resignação e submissão à vontade do Criador.

953 b Quais são, nesse caso, as conseqüências dessa ação?

– Uma expiação proporcional à gravidade do erro, de acordo com as circunstâncias, como sempre.

954 Uma imprudência que compromete a vida sem necessidade é repreensível?

– Não existe culpabilidade se não há intenção ou consciência positiva de fazer o mal.

955 As mulheres que, em certos países, se fazem queimar nas piras cinerárias1 voluntariamente junto com o cadáver do marido podem ser consideradas suicidas, e sofrem as conseqüências disso?

– Elas obedecem a um preconceito e muitas vezes mais pela força do que por vontade própria. Acreditam cumprir um dever, e aí não se caracteriza o suicídio. São desculpáveis pelo pouco desenvolvimento moral da maioria delas e pela ignorância. Esses costumes bárbaros e estúpidos desaparecem com a civilização.

956 Aqueles que, não podendo suportar a perda das pessoas queridas, se matam na esperança de reencontrá-las, atingem seu objetivo?

– O resultado é completamente diferente do que esperam: em vez de se unirem às pessoas de sua afeição, afastam-se delas por mais tempo, porque Deus não pode recompensar um ato de covardia e o insulto que é feito ao duvidarem de Sua Providência. Eles pagarão esse instante de loucura com desgostos maiores que os que acreditam abreviar e não terão mais para recompensá-los a satisfação que esperavam. (Veja a questão 934 e seguintes)

957 Quais são, em geral, as conseqüências do suicídio sobre o Espírito?

– As conseqüências do suicídio são muito diversas: não existem penalidades fixas e, em todos os casos, são sempre relativas às causas que o provocaram; mas uma conseqüência da qual o suicida não pode escapar é o desapontamento. Além disso, a sorte não é a mesma para todos: depende das circunstâncias. Alguns expiam sua falta imediatamente; outros, em nova existência, que será pior do que aquela cujo curso interromperam.

A observação mostra, de fato, que as conseqüências do suicídio nem sempre são as mesmas; mas existem as que são comuns a todos os casos de morte violenta, pela interrupção brusca da vida. Primeiramente há a persistência mais prolongada e insistente do laço que une o Espírito ao corpo, porque esse laço está quase sempre na plenitude de sua força no momento em que é quebrado, enquanto na morte natural ele se enfraqueceu gradualmente, e muitas vezes se rompe antes que a vida seja completamente extinta. As conseqüências dessa situação são o prolongamento da perturbação espiritual e a ilusão que, durante um certo tempo mais ou menos longo, faz o Espírito acreditar que ainda está entre os vivos. (Veja as questões 155 e 165.)

A afinidade que persiste entre o Espírito e o corpo produz, em alguns suicidas, uma espécie de repercussão do estado do corpo sobre o Espírito, que sente, assim, o desprazer dos efeitos da decomposição do corpo e passa por uma sensação cheia de angústias e de horror, e esse estado pode persistir tanto tempo quanto devia durar a vida que eles interromperam. Esse efeito não é geral; mas, em nenhum caso, o suicida está livre das conseqüências de sua falta de coragem e, cedo ou tarde, reparará sua falta de uma maneira ou de outra. É assim que alguns Espíritos, que haviam sido infelizes na Terra, disseram ser suicidas na existência anterior e se submeteram, voluntariamente, a novas provas para tentar suportá-las com mais resignação. Em outros há uma espécie de ligação à matéria da qual procuram em vão se desapegar, para atingir mundos melhores, mas cujo acesso lhes é proibido. Na maioria, é o remorso por terem feito uma coisa inútil, uma vez que só colheram decepção. A religião, a moral, todas as filosofias condenam o suicídio como algo contrário à lei da natureza; todos nos dizem, em princípio, que ninguém tem o direito de abreviar voluntariamente sua vida; mas por que não se tem esse direito? Por que não se é livre para colocar um fim aos seus sofrimentos? Estava reservado ao Espiritismo demonstrar, pelo exemplo daqueles que o praticaram, que não é apenas um erro como infração a uma lei moral, consideração que pouco importa para certos indivíduos, mas que também é um ato estúpido, uma vez que, ao contrário do que pensam, nada ganha quem o pratica. O Espiritismo nos ensina isso não de forma teórica, mas pelos fatos que coloca diante de nossos olhos.


  1. Pira cinerária: fogueira onde se queimavam cadáveres (N. E.).

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s