Fanatismo e fé raciocinada

fanatismo religioso

Quando falarmos de fé, devemos sempre nos preocupar em diferenciá-la de crença ou rótulo religioso. A vida ensina que nem sempre ter uma crença ou religião é ter fé.

Léon Tolstoi definia a fé como “A força da vida”. Santo Agostinho assim a definia: “Fé é acreditarmos no que não vemos, e a recompensa dessa fé é vermos aquilo em que acreditamos”; já Allan Kardec, o codificador da Doutrina Espírita, a definiu: “Fé verdadeira é aquela que enfrenta a razão em todas as épocas da humanidade”.

Incontestavelmente, todas as definições apresentam uma grande verdade. A fé é uma força indispensável para a superação dos obstáculos que se apresentam na vida; a fé que acredita no que não vê é aquela ensinada por Jesus a Tomé: “Você creu porque viu, mas bem-aventurados os que crêem sem ver”. Porém, a fé raciocinada apresentada por Kardec é a que traz em si o dispositivo indispensável para não se transformar em fanatismo – encara a razão.

Quando fazemos uma retrospectiva na história da humanidade, constatamos inúmeras guerras que resultaram em morte e destruição de milhões de pessoas; tudo isso em função do fanatismo religioso (crença), ou seja, da fé não raciocinada.

É, em verdade, um paradoxo inaceitável uma nação se indispor contra outra, declarando guerra e ceifando a vida de milhares de pessoas.

Mais paradoxal torna-se quando justifica suas ações nefastas como defesa de princípios religiosos, sob a proteção de Deus. Embora receba outros nomes em algumas nações, Deus é o mesmo Criador de toda a humanidade, para a qual estabeleceu como lei maior a lei do amor.

A fé raciocinada assim nos faz pensar: se nós fomos criados pelo mesmo ser superior, que é Deus, somos todos irmãos, independente de nacionalidade ou filiação religiosa. Formamos a grande família universal.

Jesus sabiamente corroborou essa verdade quando, informado de que sua mãe e seus irmãos estavam à sua procura, afirmou que sua mãe e seus irmãos seriam todos os que fizessem a vontade do Pai que está no céu.

Em matéria de fé, é aconselhável que experimentemos sempre se ela enfrenta a razão sem contradição.

A fé que é discriminadora e orgulhosa fere a lei de amor. Portanto, não é fé; mas, sim, fanatismo.

F. ALTAMIR DA CUNHA
JORNAL O CONSOLADOR
Ano 1 – N° 9 – 13 de Junho de 2007
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