O Código de Da Vinci – por Richard Simonetti

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1 – Como situar “O código Da Vinci”, best-seller mundial, que tem suscitado muitas discussões em torno de temas ali abordados?
É um bom romance policial, de tirar o fôlego, que se lê com sofreguidão. Dan Brown, o autor, consegue o prodígio de desenvolver praticamente toda a história em dois dias, num suceder de “ganchos”, que prendem a atenção do leitor. Mas é só isso, mera ficção que tem por pano de fundo teorias conspiratórias distanciadas da realidade, envolvendo a Igreja Católica.

2 – Por que a evocação do nome de Leonardo da Vinci?
Há vários enigmas que vão sendo decifrados pelos personagens. Um deles reporta-se a uma teoria do genial renascentista. Ele é, também, situado como suposto participante de uma sociedade secreta que tinha a missão de revelar ao Mundo, em época oportuna, um fato subtraído dos textos evangélicos, que afetaria profundamente a Igreja Católica.

3 – Que revelação?
A de que Maria Madalena não teria sido simples coadjuvante na epopéia evangélica. Casada com Jesus, estaria grávida quando o Mestre foi crucificado, deixando uma descendência que teria se estendido até o nosso tempo.

4 – É uma fantasia ou há algum fundamento?
É uma ideia presente em alguns dos chamados evangelhos apócrifos, de autenticidade duvidosa, como O Evangelho de Maria de Magdala, O Evangelho de Felipe, O Evangelho de Nicodemos. Sabiamente, a nosso ver, foram excluídos por São Jerônimo, no século IV, quando fez a tradução latina da Bíblia, dando origem à Vulgata, o texto bíblico que hoje conhecemos.

5 – E por que teria sido suprimida essa história?
Segundo Brown, porque Maria Madalena teria assumido uma liderança que contrariava as tendências machistas da época, além da despertar ciúmes no colégio apostólico. Chega a conceber que no famoso afresco de Da Vinci, sobre a última ceia, ela seria a personagem à direita de Jesus.

6 – Há alguma evidência a respeito?
Nenhuma. Brown usa essa ideia como pano de fundo para a narrativa, repleta de fantasias, culminando com a “revelação” de que o corpo de Maria Madalena estaria escondido debaixo do museu Louvre, em Paris.

7 – O que nos diz o Espiritismo a respeito?
Em toda a Codificação, sob orientação da Espiritualidade, nas obras complementares, e na contribuição marcante de Chico Xavier, não há uma só linha favorável a essa suposta posição de Maria Madalena. Há apenas a confirmação de que ela foi uma discípula fiel, que acompanhava o colégio apostólico e que realizou uma obra missionária após a morte de Jesus.

8 – Seria a pecadora arrependida?
Essa também é uma ideia equivocada. Maria, segundo Lucas, sofria uma obsessão movida por um grupo de sete perseguidores espirituais (8:2). Como no relato imediatamente anterior (7:36-50), Lucas reporta-se à pecadora que ungiu os pés de Jesus, ambas teriam sido confundidas como uma única pessoa. Há, também, quem afirme que o estigma de prostituta, sustentado pela machista ortodoxia medieval, tinha por finalidade minimizar sua importância no movimento cristão.

Pinga Fogo com Simonetti – 2010

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