Entrevista : Jorge Hessen – Conflitos Domésticos e Divórcio

conflitos domésticos e divórcio

Como explicar à luz do Espiritismo os conflitos domésticos que costumam ocorrer entre irmãos, cônjuges, pais e filhos?

Jorge Hessen: A obsessão é uma pandemia que tem balançado as estruturas da sociedade. Cremos que grande quantidade dos conflitos familiares tem origem nos processos obsessivos. A reencarnação traça rumos nítidos ao mútuo respeito que nos compete de uns para com os outros. Entre pais e filhos, há naturalmente uma fronteira de apreço recíproco, que não se pode ultrapassar, em nome do amor, sem que o egoísmo apareça, conturbando-lhes a existência. Em face disto, deve-se buscar o auxílio de religiosos, professores, filósofos e psicólogos, a fim de que a excessiva agressividade no quadro familiar não atinja as raias da perversidade ou da delinquência. Pais e filhos e parentes outros são, originariamente, consciências livres, livres filhos de Deus empenhados no mundo à obra do autoburilamento, do resgate de débitos, do reajuste, da evolução. Há muitos pais e filhos, irmãos e outros parentes, não raro, que se repelem, desde os primeiros contatos, geralmente arraigados no labirinto de existências menos felizes, em que o ódio acumulado em estâncias do pretérito se exterioriza, por meio de manifestações de doentias aversões. Quando isso aconteça, o compromisso de reajuste há de iniciar-se principalmente nos pais, porquanto, despertos para a lógica e para o entendimento, são convocados pela sabedoria da vida ao apaziguamento e à renovação, segundo ensina Emmanuel.

Em razão disto, é importante amar e desculpar, compreender e servir, tantas vezes quantas se façam necessárias na experiência familiar, de modo a que sofrimento e dissensão desapareçam e a fim de que, nas bases da compreensão e da bondade de hoje, todos se levantem na condição de Espíritos reajustados, perante as Leis do Universo, garantindo a todos os parentes, nas trilhas das reencarnações porvindouras, a redenção de seus próprios destinos.

Qual é a sua opinião a respeito do divórcio?

Jorge Hessen: A Doutrina não defende a tese da indissolubilidade do casamento. O divórcio não contraria a lei de Deus, mas, a rigor, não deve ser facilitado entre nós. Não podemos perder de foco que o casamento será sempre um instituto benemérito, acolhendo, no limiar, flores de alegria e esperança. Sabemos que há casamentos extremamente complicados e Deus jamais institui princípios de violência, e cada um de nós, conquanto em muitas situações agravemos os próprios débitos, dispomos da faculdade de interromper, recusar, modificar, ou adiar, transitoriamente, o desempenho dos compromissos que abraçamos do casamento.

É preciso reconhecer que a escravidão não vem de Deus e ninguém possui o direito de torturar ninguém, em face das leis eternas. O divórcio, pois, baseado em razões razoáveis, é providência humana e claramente compreensível nos processos de evolução pacífica.

Submetidos às vezes aos limites máximos da resistência, é natural que o esposo ou a esposa, relegado a sofrimento indébito, se valha do divórcio por medida radical contra o suicídio, o homicídio ou calamidades outras que lhes complicariam ainda mais o destino, como ensina Emmanuel.

Óbvio que não nos é lícito estimular o divórcio em tempo algum, competindo-nos tão-somente, nesse sentido, reconfortar e reanimar os irmãos em lide, nos casamentos de provação, a fim de que se sobreponham às próprias suscetibilidades e aflições, vencendo as duras etapas de regeneração ou expiação que, quase sempre, rogaram antes do renascimento no Plano Físico, em auxílio a si mesmos.

Jornal O Consolador
Ano 1 – N° 8 – 2007

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