Allan Kardec – Um Filósofo Diferente

Filosofia Allan Kardec

01 – Por que, embora situando a Doutrina Espírita como uma filosofia, Allan Kardec não foi reconhecido como filósofo?
Basicamente, porque primava pela simplicidade, sem recorrer aos jargões e à linguagem arrevesada dos filósofos. por exemplo, quando da existência de Deus, o filósofo fala da prova henológica, a qual, partindo da multiplicidade numérica das perfeições especificamente iguais neste mundo, infere, de modo idêntico, o “ser-por-participação” das mesmas e com isso demonstra a unicidade do ser subsistente. é como coçar a orelha esquerda com a mão direita, por trás da cabeça.

02 – E como explicaria Kardec?
Em obras póstumas, quando nos fala de uma profissão de fé espírita raciocinada, esclarece: A prova da existência de deus temo-la neste axioma: “não há efeito sem causa.” Vemos constantemente uma imensidade de efeitos, cuja causa não está na humanidade, pois que a humanidade é impotente para produzi-los, ou, sequer, para os explicar. A causa está acima da humanidade. A partir desse raciocínio simples e lógico, chegamos à existência de Deus.

03 – A definição de Kardec é de clareza meridiana. Por que isso não acontece em relação aos filósofos?
Talvez por demasiada preocupação com a originalidade. Por outro lado, há a tendência para a fantasia. Louisa May Alcott, escritora americana, dizia que o filósofo é aquele indivíduo subindo num balão, com a família e os amigos segurando as cordas que o mantém preso à terra e tentando puxá-lo para baixo.

04 – Por isso há tantos sistemas filosóficos?
Sem dúvida. Cada filósofo preocupa-se em mostrar algo diferente, que se destaque como uma visão da verdade. Com isso, a história da filosofia é a história das contradições do pensamento humano. Cada filósofo inventa seu sistema, excluindo os demais. Não há uma unidade, nem uma seqüência lógica no desenvolvimento das ideias..

05 – Kardec tinha os pés no chão?
Exatamente. Não fantasiava. E considerava, com propriedade, que questões relacionadas com a vida e a morte, a origem e destino da criatura humana, não poderiam ser solucionadas a partir de especulações. Muito mais lógico cogitar de um contato com os “mortos”, colhendo deles as respostas desejadas. Assim nasceu a Doutrina Espírita.

06 – De certa forma podemos dizer que Kardec abriu as porta para o mundo espiritual. Não obstante, que garantia temos de que não são meras fantasias dos médiuns ou dos espíritos que se manifestavam?
Kardec pensou nesse problema. Para superá-lo estabeleceu o que chama de “universalidade dos princípios”. Se perguntarmos a um espírito desencarnado a respeito de determinada questão ele poderá nos passar uma informação errada ou ela poderá ser distorcida pela filtragem mediúnica. Mas se consultarmos dezenas de espíritos, por intermédio de dezenas de médiuns, em grupos distintos, e obtivermos a mesma resposta, deveremos considerá-la aceitável a exprimir a verdade.

07 – Esse controle exigiria metodologia, sugerindo uma base científica…
Sem dúvida. Por isso Kardec destaca que o espiritismo tem um tríplice aspecto. É uma filosofia com bases científicas e consequências religiosas.

08 – Onde entra a religião?
A Doutrina Espírita propõe-se a demonstrar a existência de Deus, a sobrevivência da alma, a responsabilidade individual, o resultado das ações humanas na vida espiritual, a prece como instrumento de comunhão com a espiritualidade, a caridade como roteiro para a construção de uma sociedade melhor. São princípios eminentemente religiosos. Consequentemente, a Doutrina Espírita é, também, uma religião.

 Artigo de Richard Simonetti – 2010

 

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