Transtorno do Pânico e Espiritismo

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Nas montanhas e florestas da Arcádia, vivia um ser, metade homem e metade carneiro, com chifres e patas. Pã, era o deus das árvores, das florestas e dos animais. Diariamente saía a animar as ninfas com sua flauta. Porém, para os viajantes inadvertidos, que ousavam atravessar a floresta, Pã lhes aparecia inesperadamente, o que provocava a estes viajores, imensos pavores sem causa aparente, originando deste antigo mito grego, o termo pânico.

A síndrome do pânico como é popularmente conhecida, ou transtorno do pânico como é designada em psiquiatria, é um transtorno que se caracteriza por crises súbitas de medo, onde a pessoa pensa que vai morrer naquele momento. Sintomas como batimentos cardíacos acelerados, falta de ar, sudorese, tremores, dor no peito, instabilidade ou sensação de tontura, dentre outros, são os que geralmente acometem quem sofre uma crise.

Talvez, o que pareça ruim, a partir da primeira crise, torna-se ainda pior, com o receio do aparecimento de um novo episódio de pânico, já que a pessoa não tem noção de quando ela virá. Qualquer estímulo interno, como uma dor, tonteira, aceleração cardíaca, ou externo, como um cheiro, a associação a um lugar, podem remeter a uma recordação da crise anterior, ou das crises anteriores, desencadeando assim uma nova crise.

A qualidade de vida da pessoa tende a ficar agravada, pois geralmente ela passa a evitar sair de casa, para não se expor a situações que possam ser embaraçosas ou difíceis de encontrar uma saída caso tenha uma nova crise. É o chamado medo do medo.

O transtorno do pânico tem uma prevalência de cerca de 1,5 a 2% sobre a população geral e tem uma preferência três vezes maior para mulheres do que para homens, por questões hormonais.

As causas biológicas estão possivelmente associadas a alguns fatores, como alterações no funcionamento de determinadas estruturas do córtex cerebral, como hiper-reatividade do lócus ceruleus, desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, modulação do sistema serotoninérgico desregulado, hiperativação da via do medo condicionado, ligado à amigdala, além de um componente genético moderado.

Como causas psicológicas, podemos citar uma educação castradora por parte dos pais, com ameaças e chantagens, gerando uma pessoa ansiosa e insegura, com predisposição ao transtorno.

O tratamento medicamentoso e psicoterápico é indicado para melhora do paciente.

A visão espírita do transtorno do pânico amplia os horizontes já citados dos referenciais biológicos e psicológicos, já que remonta às possíveis causas e propõe uma terapêutica positivamente de mudança do ser espiritual reencarnado.

No Evangelho Segundo o Espiritismo, no Capítulo 5, temos dois itens que tratam das causas atuais das aflições e das causas passadas das aflições, onde os benfeitores maiores nos dizem que tudo aquilo que não foi gerado nesta existência, como causa do efeito que agora se experimenta, seguramente esta causa estará em uma outra existência.

Sendo Deus infinitamente justo e perfeito, suas leis são sempre perfeitas. E quando os benfeitores espirituais nos esclarecem no Livro dos Espíritos que a lei de Deus está escrita na própria consciência, temos aí o guia que nos orienta quanto à qualidade das nossas ações.

Joanna de Ângelis, espírito, em sua obra Amor imbatível amor, afirma que as raízes do transtorno do pânico encontram-se na criatura que desconsiderou as Soberanas Leis e se reencarna com predisposição fisiológica, imprimindo nos genes a necessidade da reparação dos delitos passados que ficaram sem a retificação, porque ficaram desconhecidos da justiça humana, porém, não da justiça divina e da própria consciência.

A pessoa abre campo para uma série de resgates, abrindo também campo para o processo obsessivo, por parte de entidades espirituais que se utilizam dos arquivos mentais do doente, para manipular seus pensamentos e emoções, criando quadros aterradores para quem lhe padece o conúbio devastador.

Por isso, o Mestre nos adverte docemente, como encontramos em Mateus 5:25, concilia-te com o teu inimigo. Isso, porque se podemos nos ter por conta de nossos melhores amigos, somos também nós mesmos os nossos piores inimigos. Nossos inimigos maiores são as nossas imperfeições! Nossos piores adversários estão dentro de nós. Reconciliar é mudar enquanto é tempo. É não permitir-se desencarnar com o sentimento da culpa, que é tão avassalador. Para aquele que desencarna, a realidade espiritual é encontrar do outro lado do espelho da vida, aquela realidade que nos mostra como realmente somos e estamos, sem máscaras a nos ocultar o íntimo.

Assim, temos na qualidade dos nossos atos, pensamentos e sentimentos os alteradores de nosso modelo organizador biológico, aquele que modelará nosso futuro corpo em uma nova reencarnação. Podemos desde agora usar deste conhecimento para a conquista do bem estar integral do ser. Jesus nos disse que tudo é possível àquele que crê. Crer aqui não é só o acreditar, mas também é o fazer a sua parte para conquistar aquilo que se crê, buscando na prece os recursos balsamisantes da renovação e exercitando as virtudes do amor e do perdão, dentro do trabalho ativo do bem.

Rodrigo Ferretti

BIBLIOGRAFIA:

ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). Dias Gloriosos. [psicografado por Divaldo P. Franco]. Alvorada, 1999.
ÂNGELIS, Joanna de (Espírito). Amor, imbatível amor. [psicografado por Divaldo P. Franco]. Alvorada, 1998.
BRÓLIO, R. Doenças da Alma. FE, 1997.
HOLLANDER, E., SIMEON, D. Transtornos da Ansiedade. Artmed, 2004.
KARDEC, A. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Tradução de J. Herculano Pires. LAKE, 2005.
ROMANELLI, R.C. O primado do Espírito. Síntese,1965.

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