Por que se sofre ?

melancolia_munch

No Sermão do Monte, disse Jesus, conforme está em Mateus, cap. V, versículo 5: “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados.” Os intérpretes do Evangelho costumam explicar que o consolo prometido por Jesus aos aflitos da Terra só pode se realizar na vida futura. Ora, sem a certeza da continuidade da vida, essa assertiva seria um contra-senso, uma ilusão.
Costuma-se acrescentar: aquele que sofre é mais amado por Deus. Mas e os que não sofreram tanto? Não são amados por Deus? Por que uns sofrem mais e outros sofrem menos? As religiões não reencarnacionistas não respondem a essa questão. E permanece na memória coletiva uma idéia falsa do mérito do sofrimento, que leva a uma atitude conformista: “’É a vontade de Deus! Deus quis assim! Deus é que sabe.” Será que Deus quer que soframos?

Se entendemos Deus como causa primária da vida, se vislumbramos na organização cósmica, na natureza, e em nosso próprio ser os efeitos e sinais de uma Inteligência Suprema – entendemos também que a perfeição e a justiça são inerentes à Sua essência. Logo, Deus não teria criado a dor, que é estado de aflição, de imperfeição. Quando tudo está perfeito não há dor, não há aflição.
A justificativa que as religiões tradicionais têm dado para a dor, considerando-a condição para que o homem seja recompensado além da morte, passa a idéia de um Deus sádico e cruel.
Por outro lado, se a explicação de felicidade na vida futura para quem sofre, responde em parte à pergunta para que se sofre, continua outra questão no ar: Por quê? Teria Deus os seus escolhidos? Pessoas marcadas para sofrer e se santificar? Nesse caso seria parcial e, conseqüentemente, não seria perfeito. Muitas crianças não têm nem tempo para sofrer, morrem antes. Além do mais , a dor é um sinal de imperfeição. Quer seja física, quer seja moral ou espiritual. A doença é imperfeição do corpo. Algo não funciona bem. Do ponto de vista subjetivo, moral, também é assim. Quando as coisas não vão bem para o nosso lado, a vida se torna mais difícil e às vezes até dolorosa. Nesse caso, voltamos a perguntar: se Deus é perfeito, de onde vem essa imperfeição? É adquirida na infância por injunções externas? E a genética? Sofrem os filhos por imperfeições dos pais? Por que nem todos os filhos sofrem os efeitos de tais imperfeições? Somos joguetes da dança dos genes?
Todas essas questões são desdobramentos da pergunta por que se sofre, a busca de uma causa que nos sugere outra pergunta: de onde vem a dor ?

Se perguntamos de onde vem, as idéias começam a se encaixar. Há um passado, anterior à dor que se sente no presente e da qual seremos consolados no futuro. Para nossa visão limitada de seres encarnados, eis aí, pelo menos, uma linha de tempo; passado-presente-futuro. É possível elaborar um raciocínio. E essa proposta racional e lógica de encarar a existência vamos encontrar na Doutrina Espírita, nas suas explicações sobre a Lei de Causa e Efeito. Enfim, no processo evolutivo da reencarnação.
As aflições podem ter sua causa em vidas anteriores e são conseqüência natural de nosso afastamento das leis cósmicas. Mas ficam outras perguntas: todas as aflições são decorrentes de erros cometidos em outras vidas? Por que nos esquecemos dessas existências anteriores? Como se realiza esse processo evolutivo? Por que os que choram são bem- aventurados? Essa esperança vale para qualquer tipo de sofrimento?

Não tenha medo de pensar, de questionar. Coragem, leia Kardec.

Rita Corê – Rio de Janeiro
Jornal o Consolador
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