Doação de Orgãos – Perguntas e Respostas com Richard Simonetti

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1 – A Lei 9.434, regulamentada pelo decreto 2.268, torna doador presumido todo paciente maior de 21 que não tenha manifestado desejo contrário, expresso em documento de identidade. É bom ou é mau?
Para milhares de pacientes com graves problemas de coração, fígado, rins, pulmões, na fila para transplante, isso é muito bom. Ampliam-se suas possibilidades, reduzindo a espera.

2 – A retirada de seus órgãos não poderá ocasionar problemas para o espírito?
A situação do espírito, no trânsito para o além, depende dele próprio, de seus patrimônios morais e culturais, não das circunstâncias que envolvem sua morte.

3 – O paciente cujos órgãos foram aproveitados para transplante não terá repercussões em seu perispírito? Se lhe tiraram os olhos, não poderá, por exemplo, experimentar a cegueira no plano espiritual?
Se assim fosse, como ficaria o indivíduo cujo corpo foi desintegrado numa explosão? Nosso perispírito, o corpo espiritual, é afetado pelo que fazemos, não pelo que fazem ao nosso corpo.

4 – Sendo indispensável retirar o órgão ainda vivo a fim de viabilizar o transplante, os médicos adotaram o conceito de morte cerebral. 0 paciente é considerado morto embora o coração ainda esteja batendo. Isso não é eutanásia?
Há vida vegetativa, uma “morte em vida”, sustentada por aparelhos. Quando forem desligados, ou mesmo antes disso, não tardará em exalar o último suspiro.

5 – De qualquer forma, alguns dias ou horas a mais no corpo não o preparariam melhor para o desencarne?
Talvez, dependendo das pessoas que o cercam. às vezes os familiares envolvem o paciente em tal onda de desespero e inconformação que lhe impõem mais atribulações do que as supostamente decorrentes dos procedimentos cirúrgicos para o aproveitamento de seus órgãos.

6 – Se a retirada é feita à revelia do paciente terminal, não poderá ele converter-se num obsessor da pessoa beneficiada pelo transplante?
Essa idéia daria um belo filme de horror, mas não tem nada a ver com a realidade. O aproveitamento do órgão antecipa-se algumas horas ao banquete dos vermes, preservando-º mais razão teria o espírito de aborrecer-se com os nauseantes invasores que lhe devoram o corpo inteiro.

7 – O coração é situado como a sede dos sentimentos. Isso não poderá causar embaraços à pessoa que receba o coração de alguém muito atribulado, como um suicida, por exemplo?
O coração é uma bomba, cuja função primordial é fazer circular o sangue no organismo. A sede dos sentimentos está na alma, não no corpo ou em algum órgão específico.

8 – Aos cinqüenta anos um homem está no fim da existência, com grave problema cardíaco. No entanto, recebe um coração “novo”, em transplante e vive mais 20 anos. Não estaria a ciência médica interferindo nos desígnios de Deus?
A medicina é instrumento de Deus. Suas conquistas fazem parte do planejamento divino em favor da saúde da espécie humana, programada biologicamente para viver perto de um século.

Pinga fogo com Simonetti

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