Penas e gozos futuros: Duração das penas – ESDE – Ensino Sistematizado da Doutrina Espírita

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O céu e o inferno

1. O conceito de céu e de inferno sofreu grande transformação com o advento da Doutrina Espírita. Não se traduz mais por regiões circunscritas de beatífica felicidade ou de sofrimentos atrozes e eternos, respectivamente. Aprendemos que céu e inferno, em essência, são um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um.

2. O dogma da eternidade absoluta das penas é – como é fácil entender – incompatível com o progresso dos Espíritos, ao qual ele opõe uma barreira insuperável. Conforme o ensino espírita, o homem é filho de suas próprias obras, seja na existência corporal, seja na vida post-mortem, nada devendo ao favor do Pai, que o recompensa pelos esforços que faz e o pune por sua negligência, pelo tempo em que nisso persistir.

3. Inferno pode-se traduzir por uma vida de provações extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor. Portanto, a felicidade ou infelicidade após a desencarnação é inerente ao grau de aperfeiçoamento moral de cada Espírito e, também, à categoria do mundo que habita..
A lei de causa e efeito

4. As penas ou sofrimentos que cada um experimenta são dores morais e estão em relação com os atos praticados. Não existem recompensa ou sofrimento gratuitos, obtidos sem mérito, mas sim a aplicação da lei de causa e efeito.

5. A alma ou Espírito sofre na vida espiritual as conseqüências de todas as imperfeições que não conseguiu corrigir na existência corporal. A completa felicidade prende-se à perfeição, isto é, à purificação completa do Espírito. Toda imperfeição é, por sua vez, causa de sofrimento e de privação de gozo, do mesmo modo que toda perfeição adquirida é fonte de gozo e atenuante de sofrimentos.

6. A todos os Espíritos Deus faculta os meios de aprimoramento moral e intelectual, oferecendo em cada encarnação a possibilidade de uma programação reencarnatória coerente, onde a criatura humana terá chances de progredir e de expiar as faltas cometidas em existências anteriores.

7. A expiação pressupõe resgate, quitação, ajuste de erros, e varia segundo a natureza e o grau da falta, podendo a mesma falta determinar expiações diversas, na conformidade das circunstâncias atenuantes ou agravantes em que for cometida.

8. O arrependimento é o primeiro passo para a regeneração, mas não basta por si mesmo. É preciso ainda a expiação e a reparação.

9. Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências.

10. O arrependimento suaviza os travos da expiação, abrindo pela esperança o caminho da reabilitação. Somente a reparação, porém, pode anular o efeito destruindo-lhe a causa. Se as coisas não fossem assim, o perdão concedido seria uma graça, não uma anulação.

11. A reparação consiste em fazer o bem àqueles a quem se fez o mal. Quem não repara os seus erros numa existência, por fraqueza ou má-vontade, achar-se-á numa existência posterior em contato com as mesmas pessoas a quem prejudicou em vidas pretéritas, em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e fazer-lhes tanto bem quanto mal lhes tenha feito.

O código penal da vida futura

12. Toda conquista na evolução é o resultado natural de muito trabalho, porque o progresso tem preço. Tarefa adiada é luta maior e toda atitude negativa, hoje, diante do mal, será juro de mora ao mal de amanhã.

13. Concluindo, em que pese a diversidade de gêneros e graus de sofrimento dos Espíritos imperfeitos, o código penal da vida futura, elaborado por Allan Kardec com base nos ensinamentos dos Espíritos Superiores, pode resumir-se nestes três princípios:

1o – O sofrimento é inerente à imperfeição.

2o – Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis. Assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que seja necessária uma condenação especial para cada falta ou indivíduo.

3o – Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar sua futura felicidade.

14. A cada um segundo as suas obras, seja no céu ou na Terra – tal é a lei que rege a Justiça Divina e que Jesus sintetizou com perfeição em duas lições inesquecíveis: “A cada um segundo o seu merecimento” e “Quem matar com a espada perecerá pela espada”.

Respostas às questões propostas

1. Existem, segundo o Espiritismo, o céu e o inferno? R.: Não. O conceito de céu e de inferno sofreu grande transformação com o advento da Doutrina Espírita. Não se traduz mais por regiões circunscritas de beatífica felicidade ou de sofrimentos atrozes e eternos, respectivamente. Céu e inferno, em essência, são um estado de alma que varia conforme a visão interior de cada um.

2. Que podemos entender por inferno? R.: Inferno pode-se traduzir por uma vida de provações extremamente dolorosa, com a incerteza de haver outra melhor. A infelicidade após a desencarnação é inerente ao grau de aperfeiçoamento moral de cada Espírito e, também, à categoria do mundo que habita.

3. Como podemos sintetizar em poucas palavras a chamada lei de causa e efeito? R.: A cada um segundo as suas obras, seja no céu ou na Terra – tal é a lei que rege a Justiça Divina que Jesus sintetizou com perfeição em duas lições inesquecíveis: “A cada um segundo o seu merecimento” e “Quem matar com a espada perecerá pela espada”. As penas ou sofrimentos que cada um experimenta são dores morais e estão em relação com os atos praticados. Não existem recompensa ou sofrimento gratuitos.

4. Quando alguém prejudica outra pessoa, basta-lhe o arrependimento para merecer o perdão do Senhor? R.: Não. O arrependimento é o primeiro passo para a regeneração, mas não basta por si mesmo. É preciso ainda a expiação e a reparação. Arrependimento, expiação e reparação constituem, portanto, as três condições necessárias para apagar os traços de uma falta e suas conseqüências.

5. Três princípios resumem o código penal da vida futura elaborado por Kardec. Quais são eles? R.: Ei-los: 1o – O sofrimento é inerente à imperfeição. 2o – Toda imperfeição, assim como toda falta dela promanada, traz consigo o próprio castigo nas conseqüências naturais e inevitáveis. Assim, a moléstia pune os excessos e da ociosidade nasce o tédio, sem que seja necessária uma condenação especial para cada falta ou indivíduo. 3o – Podendo todo homem libertar-se das imperfeições por efeito da vontade, pode igualmente anular os males consecutivos e assegurar sua futura felicidade.

Bibliografia:

O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, 1a parte, itens 1 a 33 do capítulo 7.

O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec, item 1.014.

Justiça Divina, de Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier, págs. 66 e 104.

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